Aplicativo First2 permite ver localização de outros motoristas em tempo real, criar eventos e disputar tempos; uso indevido preocupa autoridades e especialistas em segurança viária.
Um aplicativo que mistura rede social, geolocalização em tempo real e cultura automotiva tem ganhado força no Brasil e no mundo e já está sendo apelidado nas redes sociais como o “Need for Speed da vida real”. Trata-se do First2, uma plataforma voltada para entusiastas de carros que permite interação direta entre motoristas, criação de grupos e acompanhamento de trajetos em tempo real.
O aplicativo funciona como um grande mapa social. Nele, os usuários conseguem visualizar outros membros próximos, acessar perfis, conversar por chat, criar grupos de carros, organizar eventos, fazer comboios e compartilhar fotos de encontros automotivos. A proposta é conectar pessoas que gostam de carros, independentemente da cidade ou do país.
Entre os recursos mais comentados estão a possibilidade de registrar percursos, comparar tempos realizados em determinados trajetos e acompanhar quem fez o melhor desempenho. Essas funcionalidades, no entanto, têm gerado polêmica, já que parte dos usuários passou a tratar os trajetos como disputas informais, muitas vezes em vias públicas.
Tendência nas redes e preocupação com rachas
Com a rápida viralização do First2, começaram a surgir relatos e vídeos nas redes sociais de apostas, disputas de tempo e rachas não autorizados, incentivados pela comparação de desempenho dentro do próprio aplicativo. Esse comportamento acendeu um alerta entre especialistas em trânsito, que apontam riscos diretos à segurança viária.
Embora o aplicativo não incentive oficialmente práticas ilegais, o uso irresponsável pode estimular excesso de velocidade, manobras perigosas e direção competitiva fora de ambientes controlados, como autódromos ou pistas fechadas.
Recursos que também chamam atenção da fiscalização
Além da interação social, o First2 conta com funções como marcação de radares de velocidade, troca de informações em tempo real sobre trânsito e chat ativo entre os usuários. Especialistas alertam que, dependendo da forma como esses recursos são utilizados, eles podem ser interpretados como tentativa de burlar a fiscalização.
Outro ponto sensível é o compartilhamento de localização em tempo real, que exige atenção redobrada quanto à privacidade e ao uso consciente da ferramenta.
Uso consciente é essencial
Aplicativos de comunidade automotiva podem ter uso positivo, como a organização de encontros legais, eventos autorizados e integração entre apaixonados por carros. No entanto, especialistas reforçam que vias públicas não são pistas de corrida e qualquer disputa de velocidade configura infração gravíssima, além de colocar vidas em risco.
O crescimento do First2 mostra como a tecnologia está cada vez mais presente na cultura automotiva. O desafio agora é garantir que essa inovação seja usada com responsabilidade, sem transformar diversão em perigo no trânsito.