Portaria publicada em janeiro de 2026 define metas de eficiência energética, muda a forma de cálculo das emissões e pressiona montadoras a acelerar a eletrificação da frota no país
A regulamentação do Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover) marca uma nova etapa para a indústria automotiva brasileira. Criado oficialmente em abril de 2025, com decreto assinado pelo presidente Lula, o programa ganhou regras práticas no dia 22 de janeiro de 2026, quando foi publicada a portaria que estabelece como montadoras e importadoras deverão enquadrar seus veículos até 2030.
Na prática, o Mover cria um sistema mais rigoroso de metas de eficiência energética, com punições para modelos mais poluentes e incentivos para tecnologias consideradas mais limpas. A expectativa é de que a norma acelere a eletrificação da frota nacional e altere profundamente o planejamento de produtos das marcas que atuam no Brasil.
O que a portaria do Mover estabelece
O texto define critérios técnicos e operacionais para que fabricantes e importadoras possam medir, reportar, auditar e comprovar o cumprimento das metas de eficiência energética. Entre os principais pontos estão:
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Apuração das metas energéticas com base nos emplacamentos, considerando créditos e débitos;
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Envio periódico de informações ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC);
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Mudança da metodologia de cálculo de emissões do modelo “tanque-à-roda” para “poço-à-roda”;
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Concessão de créditos por tecnologias específicas;
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Fatores de multiplicação para sistemas de propulsão como híbridos, híbridos plug-in, elétricos e células de combustível;
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Auditorias anuais obrigatórias;
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Criação de um grupo técnico permanente para revisar parâmetros ao longo do tempo.
O que muda para o mercado automotivo
Segundo especialistas, a principal mudança está no fim da eletrificação apenas como discurso de marketing. Para Milad Kalume Neto, consultor e diretor-executivo da K.LUME Consultoria Automobilística, o Mover força decisões mais técnicas e estratégicas por parte das montadoras.
“A ponderação pelos volumes emplacados passa a tratar cada marca de forma mais específica. Não adianta oferecer versões eletrificadas que não vendem e manter uma linha extensa de modelos a combustão com motores defasados. O portfólio precisará ser repensado”, avalia.
Com isso, a tendência é de maior protagonismo dos híbridos leves (MHEV), com baterias de 12 V a 48 V, especialmente entre fabricantes que produzem localmente. Esses modelos ajudam a cumprir metas iniciais de eficiência com menor impacto nos custos industriais.
Por que a regulamentação era necessária
A lógica central do Mover segue o princípio do “bônus e malus”: quem polui mais é penalizado, quem polui menos é beneficiado. A portaria transforma esse conceito em regras técnicas objetivas, reduzindo subjetividade, definindo prazos e criando mecanismos de auditoria.
“O Mover estabelece multiplicadores que incentivam tecnologias estratégicas para o Brasil e reconhece soluções que não aparecem nos testes tradicionais de laboratório, mas contribuem para a redução real de emissões”, explica Murilo Briganti, COO da Bright Consulting.
Impacto esperado nas emissões
A estimativa oficial é de uma melhoria de eficiência energética entre 8% e 12% no curto prazo. Historicamente, porém, o mercado brasileiro tem superado metas regulatórias anteriores.
No Inovar-Auto, a meta obrigatória era de 12,08%, mas a evolução real chegou a cerca de 15,9%. Já no Rota 2030, a exigência era de 11%, e o avanço novamente superou 15%. Mantido esse padrão, a expectativa é de uma redução acumulada próxima de 45% na eficiência energética da frota até o ciclo completo do Mover.
Um novo ciclo para a indústria
Com a regulamentação em vigor, o Mover deixa de ser apenas uma diretriz política e passa a funcionar como um instrumento concreto de transformação da indústria automotiva. Para as montadoras, o recado é claro: eficiência energética, eletrificação e estratégia de portfólio passam a ser fatores decisivos não apenas para competir no mercado, mas para continuar operando dentro das regras do jogo.
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