Projeções indicam leve retração no mercado de veículos novos, enquanto usados seguem em alta
O mercado automotivo brasileiro inicia 2026 em um ambiente econômico e político que impõe desafios à expansão das vendas de veículos novos. A combinação entre taxas de juros elevadas, crédito mais restrito, calendário eleitoral e a realização da Copa do Mundo tende a impactar o comportamento do consumo ao longo do ano.
Após um período de recuperação gradual no pós-pandemia, o setor apresentou crescimento moderado em 2025. O volume de emplacamentos de veículos leves totalizou 2.547.034 unidades, avanço de 2,4% em relação ao ano anterior.
De acordo com projeções da K.LUME Consultoria, o mercado deve registrar leve retração em 2026, com expectativa entre 2,40 e 2,45 milhões de unidades.
Ambiente macroeconômico
Embora o Produto Interno Bruto (PIB) tenha registrado crescimento em 2025, o cenário permanece condicionado por variáveis como custo do crédito, inadimplência e capacidade de financiamento dos consumidores.
As taxas de juros elevadas continuam exercendo pressão direta sobre as parcelas de financiamento, reduzindo o acesso ao veículo novo e ampliando a migração para alternativas de menor valor agregado.
Além disso, eventos típicos de anos eleitorais e períodos de grandes competições esportivas costumam influenciar decisões de consumo, especialmente em bens duráveis.
Segmento de luxo
O mercado de veículos de luxo apresentou desempenho superior ao do mercado geral em 2025. O segmento de passeio de luxo passou de 51.191 unidades em 2024 para 54.564 unidades em 2025, alta de 6,6%.
O crescimento, contudo, ocorreu de forma concentrada em poucas marcas, com destaque para BMW, Mercedes-Benz e Volvo.
A predominância de SUVs no segmento reforça a tendência observada no mercado brasileiro, enquanto a eletrificação segue como vetor relevante de crescimento.
Mercado de usados
O mercado de veículos usados manteve trajetória de forte expansão. Dados da Fenauto apontam recorde de 18.508.929 unidades comercializadas em 2025, crescimento de 17,3% em relação ao ano anterior.
O desempenho foi impulsionado principalmente por:
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Restrições ao crédito para veículos novos
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Elevação do custo de financiamento
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Ampliação da oferta via desmobilização de frotas
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Consolidação de plataformas digitais
A faixa de veículos seminovos apresentou crescimento expressivo, consolidando-se como alternativa direta ao veículo zero quilômetro.
Para 2026, as projeções indicam continuidade do movimento, com estimativas entre 19,25 e 19,75 milhões de unidades.
Marcas chinesas
Fabricantes chineses registraram avanço significativo em 2025, com crescimento de 44,7% no volume total de emplacamentos.
Apesar da expansão, o mercado permanece concentrado principalmente em BYD, Caoa Chery e GWM.
Analistas avaliam que 2026 representará um período determinante para a consolidação dessas marcas, especialmente em fatores estruturais como rede de atendimento, pós-venda e valor residual.