Os Estados Unidos emitiram um alerta de segurança após a confirmação de pelo menos 10 mortes em 12 acidentes relacionados ao uso de airbags falsificados instalados em veículos. As informações são da National Highway Traffic Safety Administration, que conduz as investigações.
Segundo o órgão, os componentes ilegais são atribuídos à empresa chinesa Jilin Province Detiannuo Automobile Safety System, conhecida como DTN. Os produtos são proibidos no país, mas teriam entrado de forma clandestina e sido utilizados principalmente em carros recuperados após acidentes.
As investigações apontam que, apesar de visualmente semelhantes aos originais, os airbags falsificados apresentam falhas graves de funcionamento.
Um airbag legítimo deve inflar em menos de 20 milissegundos para proteger os ocupantes. Já nos modelos piratas:
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A bolsa se rompe no momento do impacto
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Há liberação de fragmentos metálicos
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Estilhaços são lançados contra rosto, pescoço e tórax
Esses fatores foram determinantes para as mortes registradas. Em condições normais, com airbags originais, os ocupantes teriam sofrido apenas ferimentos leves.
Mercado paralelo e veículos afetados
Os airbags falsificados eram vendidos por cerca de US$ 100 (R$ 580) valor muito inferior ao de peças originais o que facilitou sua disseminação no mercado paralelo.
A suspeita é que oficinas independentes tenham adquirido os infladores para baratear reparos em veículos sinistrados, que depois foram revendidos.
Até o momento, os casos confirmados envolvem modelos como:
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Chevrolet Malibu
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Hyundai Sonata
No entanto, as autoridades estimam que cerca de 10 mil veículos de diversas marcas possam estar circulando com esses componentes ilegais.
Caso relembra escândalo global
O episódio remete ao caso da Takata, responsável por um dos maiores recalls da história da indústria automotiva.
Na ocasião:
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Mais de 100 milhões de veículos foram afetados no mundo
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Cerca de 2,5 milhões no Brasil
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Dezenas de mortes foram registradas, incluindo 8 no país
Assim como no caso atual, os airbags defeituosos da Takata também lançavam fragmentos metálicos contra os ocupantes.
Recomendação das autoridades
A NHTSA orienta que proprietários, especialmente de veículos usados com histórico de colisão, adotem medidas imediatas:
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Realizar inspeção em oficinas certificadas
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Verificar a procedência dos airbags instalados
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Suspender o uso do veículo em caso de suspeita
O alerta reforça o risco de peças paralelas em sistemas de segurança onde qualquer falha pode ser fatal.