Marca japonesa desistiu de três modelos elétricos e deve focar em híbridos após queda no interesse por veículos 100% elétricos.
A Honda anunciou o cancelamento do desenvolvimento de três novos carros elétricos globais, decisão que deve gerar um prejuízo estimado em 570 bilhões de ienes (cerca de R$ 18 bilhões). Os modelos afetados são Honda 0 SUV, Honda 0 Saloon e Acura RSX, que estavam previstos para produção nos Estados Unidos.
Segundo a montadora japonesa, a decisão foi tomada após uma análise das tendências do mercado global, que indicaram queda no interesse por veículos totalmente elétricos. Apesar do impacto financeiro imediato, a empresa afirma que a medida busca evitar problemas maiores no futuro.
O Honda 0 SUV, por exemplo, estava em desenvolvimento há cerca de dois anos e era considerado um dos pilares da estratégia da marca para o segmento elétrico.
Honda 0 Alpha Concept foi exibido no Salão de Tóquio de 2025 e segue nos planos da marca — Foto: Divulgação
Foco em híbridos
Com a mudança de estratégia, a Honda pretende ampliar os investimentos em veículos híbridos, principalmente nos mercados do Japão e dos Estados Unidos.
A montadora também avalia expandir sua presença na Índia, mercado que apresenta crescimento nas vendas de automóveis novos. Mesmo com o cancelamento dos projetos, a empresa afirma que não abandonará os veículos elétricos, que continuam fazendo parte da estratégia de longo prazo para atingir neutralidade de carbono até 2050.
Concorrência global aumenta
O reposicionamento ocorre em meio à queda de competitividade da Honda no mercado global, especialmente diante do avanço das montadoras chinesas.
Dados divulgados pela Bloomberg mostram que a marca japonesa foi superada pelo Grupo Geely nas vendas globais de 2025.
Entre as montadoras mais vendidas do mundo no ano passado estão:
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Toyota — 11,3 milhões de veículos
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Volkswagen — 8,9 milhões
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Hyundai-Kia — 7,3 milhões
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General Motors — 6,2 milhões
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Stellantis — 5,4 milhões
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BYD — 4,6 milhões
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Ford — 4,4 milhões
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Geely — 4,1 milhões
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Honda — 3,5 milhões
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Nissan — 3,2 milhões
O crescimento das empresas chinesas, especialmente BYD e Geely, tem pressionado as montadoras tradicionais a revisarem suas estratégias globais.
Possível parceria com a Nissan
Diante desse cenário, a Honda também mantém conversas com a Nissan para possíveis colaborações estratégicas. Embora uma fusão completa tenha sido descartada em 2025, executivos das duas empresas seguem discutindo parcerias em áreas como veículos elétricos e desenvolvimento de softwares.
A ideia é dividir custos de desenvolvimento e ganhar escala, reduzindo o impacto financeiro da criação de novas tecnologias em um mercado cada vez mais competitivo.