País registrou mais de 37 mil óbitos em 2024; Região Norte lidera aumento percentual, enquanto homens jovens continuam sendo as principais vítimas.
O Brasil enfrenta um cenário alarmante de violência nas estradas e vias urbanas. Dados do Sistema de Informações de Mortes (SIM) do Ministério da Saúde, compilados pelo Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), revelam que o país registrou 37.150 mortes no trânsito em 2024. O número representa uma alta de 6,5% em relação ao ano anterior e confirma uma tendência de crescimento ininterrupto desde 2020.
O levantamento aponta que a região Norte foi a que registrou o salto mais drástico na mortalidade, com um aumento de 15,71%. No caminho oposto, apenas a região Sudeste conseguiu reduzir os índices, apresentando um leve decréscimo de 0,81% nos óbitos por sinistros.
Dados de óbitos no trânsito divulgados pelo Ministério da Saúde (Site/ONSV/Reprodução)
O perfil das vítimas e dos veículos
A estatística desenha um perfil trágico: os homens representam 82% das vítimas fatais. A faixa etária com a maior concentração de mortes está entre os 20 e 24 anos, evidenciando o impacto da violência no trânsito sobre a população jovem masculina.
Liderança trágica: A motocicleta continua sendo o veículo que mais mata no Brasil, com 15.459 óbitos registrados apenas no último ano.
Maior aumento por categoria: Embora as motos liderem em números absolutos, as mortes envolvendo caminhões (30,22%) e ônibus (28,30%) foram as que apresentaram o maior crescimento percentual entre 2023 e 2024.
Desafios na investigação
Para o ONSV, um dos maiores entraves para a redução desses números é a falta de uma investigação técnica profunda sobre as causas dos acidentes no Brasil. O órgão afirma que, atualmente, apenas a Polícia Rodoviária Federal (PRF) realiza esse tipo de serviço especializado, o que dificulta a criação de políticas públicas baseadas em causas reais e preventivas.
Raio-X da Violência Viária (Dados 2024)
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Total de Óbitos: 37.150 (+6,5% vs 2023)
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Vítimas por tipo de transporte:
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Motocicletas: 15.459
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Automóveis: 7.853
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Pedestres: 5.682
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Ciclistas: 1.549
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Caminhões: 1.086
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Gênero das vítimas: 82% Homens / 18% Mulheres.
Nota da Redação: Especialistas alertam que o aumento de mortes entre idosos (alta de 17,2% na faixa de 60 a 64 anos) e o crescimento de acidentes com veículos pesados exigem uma revisão urgente nas estratégias de fiscalização e educação no trânsito em todo o território nacional.