Queda nas vendas e custos elevados podem levar a marca a unificar os dois sedãs de luxo.
A Porsche enfrenta um momento financeiro delicado após registrar queda de 10% nas vendas em 2025 em comparação com 2024, resultando no pior desempenho da marca na última década. A retração foi ainda mais forte na China, principal mercado da empresa, onde as vendas caíram cerca de 40% desde 2021.
Diante desse cenário, a montadora alemã avalia medidas para reduzir custos, e uma das possibilidades estudadas é unificar os modelos Panamera e Taycan em um único produto no futuro.
Um modelo com várias tecnologias
A ideia seria criar um veículo único que pudesse oferecer versões a combustão, híbridas plug-in e totalmente elétricas, reduzindo os gastos com desenvolvimento de plataformas e engenharia.
Atualmente, os dois modelos são construídos em bases diferentes. O Panamera utiliza a plataforma MSB, a mesma empregada no Bentley Continental GT, enquanto o Taycan usa a plataforma J1, também utilizada no Audi e-tron GT.
Compartilhamento de peças
Uma alternativa considerada pela Porsche é manter arquiteturas diferentes, mas ampliar o compartilhamento de componentes e identidade visual entre os dois carros.
Essa estratégia seria semelhante ao que a marca já fez com o Macan, que hoje possui duas versões com plataformas distintas, mas vendidas sob o mesmo nome.
Dimensões semelhantes
A aproximação entre Panamera e Taycan também é facilitada pelo fato de os dois modelos possuírem dimensões bastante próximas. O entre-eixos do Panamera é de cerca de 2,95 metros, enquanto o Taycan possui aproximadamente 2,90 metros.
Por isso, uma eventual unificação não exigiria grandes mudanças nas proporções dos veículos.
Prejuízo e atraso tecnológico
Outro fator que pressiona a decisão é o atraso na nova plataforma SSP Sport, prevista inicialmente para a próxima geração do Taycan. O projeto está atrasado e já teria gerado prejuízo estimado em 1,8 bilhão de euros, equivalente a cerca de R$ 10,8 bilhões.
Segundo a empresa, a mudança de estratégia na eletrificação pode tornar o processo mais lento que o previsto, impactando diretamente a lucratividade.
Decisão ainda não definida
Apesar das discussões internas, a Porsche ainda não definiu quando tomará uma decisão definitiva sobre o futuro dos dois modelos.
O cenário atual, porém, aumenta a pressão sobre o CEO da marca, Michael Leiters, para encontrar soluções que mantenham a competitividade da empresa em um mercado automotivo cada vez mais desafiador.