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Senatran divulga manual da prova prática da CNH

Novo manual define critérios nacionais para avaliação, reduz diferenças entre estados e rebaixa a baliza de etapa eliminatória para parte do percurso

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Senatran divulga manual da prova prática da CNH

Foto de Divulgação / Crédito: Luis Andreoli

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A Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) divulgou o Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular (MBEDV), documento que passa a orientar, de forma unificada, a aplicação da prova prática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em todo o país. O objetivo é garantir isonomia entre os estados, reduzir distorções na avaliação e aproximar o exame da condução real no trânsito.
 
O manual estabelece critérios técnicos claros para Detrans e examinadores, detalhando como o percurso deve ser planejado, como as condutas devem ser observadas e de que forma as falhas devem ser registradas. Uma das mudanças mais relevantes está na baliza, que deixa de ser uma prova isolada e eliminatória para integrar o exame como parte do trajeto.
 
Prova passa a avaliar condução como um todo
 
De acordo com o MBEDV, o exame prático deve ser tratado como um processo único de avaliação, e não mais como um conjunto de etapas desconectadas. O candidato passa a ser avaliado ao longo de todo o percurso, em situações que envolvem leitura do ambiente, tomada de decisão, respeito às regras de circulação e interação segura com pedestres e outros veículos.
 
A proposta é reduzir a lógica de “prova decorada” e concentrar a avaliação em comportamentos que realmente impactam a segurança viária. Para isso, o manual estabelece diretrizes nacionais para o desenho dos percursos, aplicação das manobras e critérios de pontuação.
 
Por que a baliza deixou de ser eliminatória
 
Historicamente, a baliza foi tratada como uma etapa autônoma, com alto peso na reprovação. O novo manual considera esse modelo tecnicamente desproporcional, ao equiparar falhas de estacionamento em baixa velocidade a condutas de alto risco, como avançar sinal vermelho, trafegar na contramão ou desrespeitar pedestres.
 
Segundo a Senatran, o estacionamento apresenta baixo potencial de lesividade, enquanto infrações relacionadas à circulação estão diretamente associadas a sinistros graves e fatais. Além disso, a exigência de manobras geométricas rígidas, com tempo e número de tentativas limitados, afastava o exame da realidade do trânsito cotidiano.
 
O manual reconhece ainda que ajustes durante a manobra são naturais, inclusive para motoristas experientes, e não caracterizam imperícia. Exigir precisão extrema de candidatos em início de formação elevava artificialmente os índices de reprovação, sem ganhos concretos para a segurança.
 
Estacionamento passa a integrar o percurso
 
Com o novo modelo, a baliza não é eliminada, mas requalificada. O estacionamento passa a ser avaliado dentro do trajeto, sob os mesmos critérios aplicados às demais situações de condução. O examinador deve observar sinalização correta, atenção ao entorno, presença de pedestres e imobilização segura do veículo.
 
O manual também adota o princípio da progressividade da prova, posicionando o estacionamento preferencialmente ao final do percurso, evitando que o estresse da manobra comprometa o desempenho global do candidato.
 
Fim das vagas “impossíveis”
 
Outro ponto central do MBEDV é o fim da exigência de vagas excessivamente restritas. O manual define parâmetros técnicos como vaga útil, zona de tolerância longitudinal e trecho total livre, garantindo espaço compatível com o porte do veículo.
 
O estacionamento paralelo ao meio-fio deve ocorrer apenas em situações de nível normal de demanda, com espaço suficiente para manobra. Cenários de alta complexidade, que exigem múltiplos ajustes e precisão extrema, passam a ser considerados inadequados para fins de exame e restritos ao treinamento.
 
Impacto para Detrans e candidatos
 
Com a publicação do manual, a Senatran busca reduzir variações regionais, limitar exigências locais excessivas e padronizar a aplicação da prova prática em todo o país. Para os Detrans, o documento serve como referência obrigatória para planejamento e execução dos exames.
 
Para o candidato, a principal mudança é simbólica e prática: a baliza deixa de ser o principal filtro de reprovação e passa a integrar um conjunto mais amplo de critérios, focados na condução segura e responsável, que refletem de forma mais fiel a realidade do trânsito brasileiro.

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