O mercado automotivo brasileiro mudou profundamente nas últimas décadas. A evolução das normas de segurança, o avanço das tecnologias de propulsão e a preferência crescente pelos SUVs fizeram com que diversos veículos e segmentos desaparecessem das concessionárias. Em alguns casos, o retorno é considerado praticamente impossível.
 
Entre modelos icônicos e categorias inteiras de automóveis, alguns nomes ficaram apenas na memória dos apaixonados por carros e no mercado de usados.
 
Chevrolet Corsa
 
 
Poucos compactos marcaram tanto os brasileiros quanto o Chevrolet Corsa. Sucesso nos anos 1990 e 2000, o modelo conquistou espaço pelo bom desempenho, economia e variedade de versões.
 
Apesar de o nome continuar existindo na Europa, o retorno ao Brasil é praticamente inviável. Isso porque o atual Corsa pertence à Opel, marca que deixou de fazer parte da General Motors e hoje integra o grupo Stellantis. Com isso, a Chevrolet não possui os direitos para comercializar o modelo em mercados como o brasileiro.
 
O desaparecimento das peruas
 
 
Durante muitos anos, as peruas foram a escolha de famílias que buscavam espaço sem abrir mão do comportamento dinâmico dos automóveis de passeio. Modelos como Parati, Palio Weekend e Marea Weekend fizeram sucesso nas ruas brasileiras.
 
No entanto, a ascensão dos SUVs praticamente eliminou esse segmento. A última representante produzida em larga escala no país foi a Fiat Weekend, que deixou de ser fabricada em 2020. Atualmente, restam apenas algumas opções importadas e de alto valor, voltadas ao mercado de luxo.
 
O fim dos carros "pelados"
 
Outra categoria que desapareceu foi a dos veículos extremamente básicos. Modelos vendidos sem equipamentos essenciais de conforto e segurança eram comuns até poucos anos atrás.
 
Com a evolução da legislação brasileira, itens como airbags, freios ABS, controle de estabilidade, controle de tração e luzes de condução diurna passaram a ser obrigatórios nos veículos novos. Além disso, o próprio consumidor passou a exigir mais equipamentos, tornando inviável a comercialização dos antigos carros de entrada praticamente sem opcionais.
 
Picapes grandes a diesel
 
As tradicionais picapes full-size americanas movidas a diesel também enfrentam barreiras para retornar ao mercado nacional. Além da mudança de estratégia de fabricantes como Ford e Ram em alguns mercados, existe um fator regulatório importante no Brasil.
 
A legislação exige capacidade mínima de carga para que um veículo possa utilizar motor diesel. Como muitas picapes de luxo priorizam conforto e refinamento em vez da capacidade de transporte, acabam não se enquadrando nas regras para esse tipo de motorização.
 
Os lendários fora-de-série
 
Os carros fora-de-série tiveram seu auge durante o período em que o Brasil restringia a importação de veículos. Pequenas fabricantes produziam modelos exclusivos utilizando mecânicas já conhecidas, principalmente do Volkswagen Fusca.
 
Hoje, o cenário é completamente diferente. Os elevados custos de homologação, as exigências de segurança e os rigorosos testes exigidos para aprovação de novos veículos tornaram praticamente impossível a sobrevivência desse tipo de fabricante em pequena escala.
 
Embora muitos desses modelos ainda sejam encontrados em encontros de antigos e coleções particulares, dificilmente veremos uma nova geração de fora-de-série surgindo no mercado nacional.
 
Entre mudanças de legislação, evolução tecnológica e novas preferências dos consumidores, esses veículos e categorias acabaram ficando para trás. Para muitos entusiastas, resta apenas a nostalgia e a busca por exemplares bem conservados no mercado de usados.