Nem todo lançamento automotivo consegue construir uma trajetória duradoura no Brasil. Enquanto alguns modelos permanecem por décadas no mercado, outros acabam tendo uma passagem rápida pelas concessionárias, seja por questões comerciais, mudanças de estratégia das fabricantes ou baixa aceitação do público.
 
Ao longo dos últimos anos, diversos veículos chegaram cercados de expectativa, mas acabaram desaparecendo do mercado em pouco tempo. Relembre alguns dos casos mais curiosos.
 
CAOA Chery Tiggo 3X
 
 
Lançado oficialmente em 2021, o Tiggo 3X surgiu como uma opção para disputar espaço entre os SUVs compactos de entrada. Com motor 1.0 turbo, câmbio CVT e uma lista generosa de equipamentos, o modelo parecia ter potencial para se consolidar na categoria.
 
No entanto, a trajetória durou pouco. Cerca de um ano após o lançamento, o utilitário saiu de cena em meio aos planos de modernização da fábrica da CAOA Chery para a produção de veículos eletrificados. Com as mudanças de estratégia da marca, o modelo acabou não recebendo continuidade.
 
Seres 3 e Seres 5
 
A chegada da Seres ao Brasil, em 2023, ocorreu em meio ao crescimento acelerado dos veículos eletrificados no país. A fabricante chinesa apostou nos SUVs elétricos Seres 3 e Seres 5 para disputar espaço com marcas que já vinham ganhando força no segmento.
 
Apesar da proposta moderna, os modelos tiveram pouca presença no mercado. O Seres 3 enfrentou concorrência intensa em uma faixa de preço bastante disputada, enquanto o Seres 5, com potência elevada e perfil premium, esbarrou em valores próximos aos de marcas já consolidadas entre os consumidores brasileiros.
 
Kia Rio
 
O Kia Rio desembarcou no Brasil cercado de expectativas. O hatch oferecia design moderno, bom nível de equipamentos e o conhecido motor 1.6 aspirado utilizado pela marca em outros mercados.
 
Porém, o cenário econômico da época dificultou sua trajetória. Importado, o modelo sofreu com a valorização do dólar e passou a disputar espaço em uma faixa de preço onde consumidores já encontravam versões mais completas dos concorrentes ou até mesmo SUVs compactos de entrada. O resultado foi uma curta permanência no mercado nacional.
 
Jeep Compass 2.0 Flex 4x4
 
Pouca gente lembra, mas o Jeep Compass chegou a ter uma versão equipada com motor 2.0 flex e tração integral. A configuração funcionou praticamente como um teste de mercado da fabricante.
 
Baseada na versão Sport, ela combinava o motor aspirado flex com a transmissão automática de nove marchas e o sistema de tração normalmente reservado às versões a diesel. A experiência durou pouco e estima-se que cerca de 500 unidades tenham sido comercializadas antes do encerramento da configuração.
 
Hyundai Veloster
 
Entre todos os modelos da lista, o Hyundai Veloster talvez seja o que mais desperte lembranças entre os entusiastas. Lançado em 2011, o cupê chamou atenção pelo design arrojado e pela incomum configuração de três portas.
 
Apesar do sucesso inicial, o modelo acabou envolvido em uma polêmica relacionada à potência do motor. O desempenho divulgado nas campanhas publicitárias não correspondia aos números efetivamente entregues pelo veículo vendido no Brasil, situação que gerou questionamentos e desgaste para a imagem do modelo.
 
Mesmo com novas gerações lançadas em outros mercados, o Veloster nunca mais retornou oficialmente ao país.
 
Quando o sucesso não acontece
 
A história do mercado automotivo brasileiro mostra que nem sempre um lançamento promissor se transforma em sucesso de vendas. Questões como preço, estratégia da fabricante, concorrência e até mudanças econômicas podem encurtar a vida de um modelo.
 
Embora tenham permanecido pouco tempo nas concessionárias, esses veículos continuam despertando curiosidade entre colecionadores, entusiastas e consumidores que acompanham a evolução da indústria automotiva.