A compra de um carro destinado a Pessoas com Deficiência (PCD) pode envolver uma série de etapas adicionais em relação a uma venda convencional. Quando a entrega ultrapassa o prazo inicialmente informado pela concessionária, porém, o processo pode se tornar ainda mais complicado para o consumidor.
 
Relatos de clientes mostram casos em que a espera pelo veículo se estendeu por meses, acompanhada de dificuldades para obter informações sobre o andamento do pedido. Em algumas situações, a demora pode fazer com que documentos ou autorizações percam a validade, obrigando o comprador a refazer determinadas etapas do processo.
 
Um dos casos relatados envolve a compra de um GWM Haval H6 para um familiar. O pedido foi realizado em 26 de fevereiro, mas o veículo só foi entregue em 19 de agosto. Durante o período, o cliente afirma ter recebido informações sobre pendências documentais e chegou a procurar outra concessionária.
 
Segundo o relato, a nota fiscal do veículo foi emitida em 16 de julho, enquanto a entrega ocorreu 33 dias depois.
 
Outro caso envolve uma cliente que adquiriu um Honda City Sedan LX. O pedido foi protocolado em 11 de junho e o veículo foi entregue em 26 de agosto, ultrapassando o prazo de 30 dias inicialmente informado pela concessionária.
 
 
Durante a espera, a cliente afirma que chegou a ser consultada sobre a possibilidade de escolher outra cor para reduzir o prazo. Posteriormente, recebeu informações de que o veículo estava pronto, mas aguardava o faturamento.
 
Montadoras explicam prazos
 
Procurada sobre os relatos, a GWM informou que trabalha com prazo máximo de 90 dias para os pedidos PCD. Segundo a montadora, havia 1.646 pedidos em andamento no período consultado, sendo que 1.543 tinham prazo de espera inferior a 59 dias.
 
A empresa afirmou ainda que 98,1% dos pedidos estavam dentro do prazo estabelecido e explicou que a escolha de determinadas cores pode influenciar a disponibilidade dos veículos em algumas regiões.
 
A Honda, por sua vez, informou que o prazo de atendimento depende da disponibilidade dos veículos e explicou que a modalidade PCD possui etapas adicionais relacionadas às aprovações das isenções junto aos órgãos responsáveis.
 
A montadora também citou uma situação específica envolvendo o City Sedan LX, cujo processo produtivo ocorre mensalmente. Segundo a empresa, a elevada demanda registrada nos últimos meses fez com que novos pedidos ficassem sujeitos à disponibilidade e aos prazos informados pela rede de concessionárias.
 
Como funciona a compra PCD
 
A modalidade PCD é realizada por meio de venda direta, na qual o veículo é faturado pela montadora diretamente em nome do comprador.
 
O processo envolve etapas diferentes das encontradas em uma venda convencional, principalmente por causa da necessidade de solicitar e comprovar as isenções tributárias aplicáveis ao comprador.
 
Por isso, o tempo total entre o início do processo e a entrega do veículo pode variar conforme a disponibilidade do modelo, a documentação apresentada, as aprovações necessárias e os procedimentos adotados pela montadora e pela concessionária.
 
Benefícios fiscais passam por mudanças
 
O mercado de veículos PCD também passou por mudanças recentes relacionadas aos critérios para acesso aos benefícios fiscais. Em agosto de 2026, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu sobre a ampliação do acesso a determinados benefícios para pessoas com nível 1 de Transtorno do Espectro Autista (TEA) e casos de deficiências físicas leves, conforme os critérios discutidos na decisão.
 
Outra mudança em discussão está relacionada ao teto de preço dos veículos que podem ter isenção de IPI. O Projeto de Lei 2.079/2026 propõe elevar o limite de R$ 200 mil para R$ 250 mil.
 
A proposta ainda depende da tramitação no Congresso Nacional para que possa eventualmente se transformar em lei.