A BYD e a GWM se consolidaram como duas das principais representantes da nova onda de fabricantes chinesas no Brasil. As marcas começaram a ganhar espaço no ranking nacional de vendas em 2023 e, desde então, passaram a disputar consumidores em diferentes segmentos.
 
Apesar de frequentemente serem colocadas lado a lado, as duas empresas adotaram estratégias diferentes para crescer no país. Enquanto a BYD apostou em maior volume e modelos eletrificados mais acessíveis, a GWM avançou para categorias de maior valor agregado e também encontrou espaço no mercado de picapes e SUVs a diesel.
 
BYD abriu vantagem desde 2023
 
A BYD começou a operação com automóveis no Brasil em 2022, com modelos como Tan e Han, mas foi a partir de 2023 que seus produtos de maior volume, como Dolphin e Song Plus, passaram a ganhar força.
 
No mesmo ano, a GWM iniciou as entregas do Haval H6 e posteriormente colocou o elétrico Ora 03 no mercado brasileiro.
 
Desde então, a distância entre as duas fabricantes aumentou. Em 2023, a BYD registrou 17.937 veículos, enquanto a GWM somou 11.479.
 
A diferença cresceu significativamente em 2024, quando a BYD ampliou sua gama com modelos como Dolphin Mini, Song Pro e King. Naquele ano, foram 76.811 unidades da BYD, contra 29.219 da GWM.
 
Em 2025, a BYD alcançou 112.814 emplacamentos, enquanto a GWM registrou 42.784.
 
Até julho de 2026, a BYD já soma 122.475 veículos, contra 44.515 da GWM.
 
No acumulado desde 2023, a BYD chega a 330.037 unidades, enquanto a GWM registra 127.997. A diferença é de 202.040 veículos.
 
Estratégias diferentes
 
Embora disputem alguns segmentos, as marcas seguem caminhos diferentes no mercado brasileiro.
 
A BYD busca volume, ampliando constantemente sua oferta de carros híbridos e elétricos em faixas de preço mais acessíveis. A família Dolphin, o Song Pro e o próprio Dolphin Mini são exemplos dessa estratégia.
 
A marca também possui modelos mais sofisticados, como o Sealion 07 e os veículos da Denza, mas mantém uma presença forte entre os consumidores que buscam eletrificação por preços mais competitivos.
 
Já a GWM trabalha com um posicionamento mais elevado. Seu catálogo é menor e concentra veículos de maior valor, buscando conquistar clientes de marcas tradicionais como Toyota e Jeep e, em determinados produtos, até consumidores de marcas premium.
 
O Ora 03, por exemplo, parte de uma faixa próxima de R$ 169 mil, enquanto a BYD oferece modelos como o Dolphin Mini em uma faixa próxima dos R$ 100 mil em determinadas ações comerciais.
 
GWM encontrou espaço no mercado agro
 
Uma das principais diferenças entre as duas fabricantes apareceu com a entrada da GWM no segmento de veículos a diesel.
 
A marca passou a apostar em modelos como Haval H9 e Poer P30, mirando diretamente consumidores do mercado agro e concorrendo com nomes tradicionais, especialmente Toyota e Chevrolet.
 
A estratégia permitiu à GWM ampliar sua atuação sem necessariamente precisar entrar na disputa por carros mais baratos.
 
A BYD, por outro lado, continua concentrando boa parte de sua expansão em veículos eletrificados de maior volume.
 
Chinesas já se aproximam das grandes
 
O crescimento das duas marcas fica ainda mais evidente quando seus resultados são somados.
 
Até julho de 2026, BYD e GWM registraram juntas 166.990 emplacamentos no Brasil, número próximo ao volume registrado pela General Motors no mesmo período, de 169.927 unidades.
 
E a concorrência chinesa não se limita às duas fabricantes. Marcas como Geely, Omoda Jaecoo e GAC também passaram a aparecer no ranking nacional, ampliando a pressão sobre as fabricantes tradicionais.
 
Quem está levando a melhor?
 
Em números absolutos, a BYD tem ampla vantagem. A fabricante acumula mais de 330 mil veículos desde 2023 e já ocupa a quarta posição no ranking de marcas em 2026, enquanto a GWM aparece na décima colocação.
 
A diferença, porém, não significa que as estratégias sejam iguais. A BYD aposta principalmente em escala, preços competitivos e eletrificação, enquanto a GWM busca crescer em segmentos de maior valor, incluindo SUVs, veículos premium e o mercado de trabalho e agro.
 
Com novos lançamentos previstos para o segundo semestre, a disputa deve continuar crescendo — mas, pelo cenário atual, a BYD segue claramente à frente em volume de vendas no Brasil.