A Lecar, fabricante brasileira criada em 2022, teve suspensa sua habilitação no Programa Mover, iniciativa do governo federal voltada ao incentivo da inovação e da descarbonização da indústria automotiva nacional.
A decisão foi anunciada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e ocorreu após a empresa não apresentar a documentação técnica necessária para comprovar investimentos em pesquisa e desenvolvimento, exigência obrigatória para participação no programa.
Com a suspensão, válida retroativamente desde 1º de maio, a Lecar perde temporariamente o acesso aos benefícios fiscais e créditos financeiros oferecidos às empresas habilitadas. A regularização dependerá da entrega da documentação pendente e da comprovação dos investimentos exigidos.
Projetos seguem sem produção
Apesar da expectativa criada em torno da marca, a Lecar ainda não colocou nenhum veículo em produção. Os dois modelos anunciados pela empresa, o cupê 459 e a picape compacta Campo, seguem em fase de desenvolvimento e ainda não foram homologados para comercialização.
Os planos iniciais previam o início das entregas em 2026, mas o cronograma acabou sendo adiado.
A fabricante também ainda não iniciou a construção da fábrica prometida para o município de Sooretama, no Espírito Santo. O projeto prevê um complexo industrial com capacidade para produzir até 120 mil veículos por ano e gerar cerca de 1.300 empregos diretos.
Segundo as informações divulgadas pela própria empresa, a unidade ocupará uma área de aproximadamente 420 mil metros quadrados, com 90 mil metros quadrados de área construída. No entanto, as obras ainda não começaram.
Lecar 459 avança para fase de testes
Enquanto busca viabilizar sua estrutura industrial, a Lecar apresentou uma nova evolução do projeto do modelo 459.
A versão mais recente já conta com carroceria pintada, rodas aparentemente definitivas e novos detalhes externos. No entanto, o veículo ainda não possui componentes como vidros, bancos e conjunto motriz instalados.
A proposta da marca é utilizar um sistema híbrido flex com motor 1.0 turbo fornecido pela Horse, mesma empresa responsável pelos motores utilizados em modelos como Renault Kardian e Nissan Kicks.
Neste conjunto, o motor a combustão atuará apenas como gerador de energia, enquanto a movimentação do veículo ficará sob responsabilidade de um motor elétrico de 163 cv e 26,3 kgfm de torque.
Venda antecipada gerou questionamentos
A Lecar também esteve envolvida recentemente em uma polêmica relacionada à comercialização antecipada de seus veículos.
No primeiro semestre deste ano, a empresa passou a oferecer os modelos 459 e Campo por meio de um sistema chamado "Compra Programada", mesmo sem os veículos estarem finalizados ou homologados.
Na época, os clientes realizavam pagamentos por meio de boletos emitidos pela própria fabricante. O modelo de negócio gerou questionamentos e acusações de possível prática semelhante a pirâmide financeira por parte de críticos e observadores do mercado.
Posteriormente, a empresa retirou a modalidade do ar. Atualmente, o site informa apenas que novas condições comerciais serão divulgadas em breve.
Além da Lecar, outras empresas também tiveram suas habilitações suspensas no Programa Mover por não apresentarem a documentação exigida pelo governo federal, entre elas Cummins Filtros, Simoldes, Nione e 3Sat Tecnologia.