Os carros vendidos no Brasil estão ficando menos potentes, mas isso não significa necessariamente perda significativa de desempenho. Na prática, diversas montadoras estão recalibrando motores para se enquadrar nas novas regras tributárias do Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover), criado pelo Governo Federal.
 
A estratégia já foi adotada por fabricantes como Volkswagen, Chevrolet, Hyundai, Stellantis e Renault, que reduziram alguns cavalos de potência de seus motores para evitar faixas de tributação mais elevadas.
 
O que mudou com o programa Mover?
 
Até poucos anos atrás, o principal critério para cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) era a cilindrada do motor. Dessa forma, motores menores pagavam menos imposto, independentemente da potência entregue.
 
Com a chegada do programa Mover, o governo passou a considerar uma série de fatores para definir a tributação dos veículos, incluindo eficiência energética, emissões de CO₂, reciclabilidade, nível de nacionalização, segurança e também a potência do motor.
 
A mudança criou novas faixas tributárias e transformou a potência em um fator decisivo para o cálculo do imposto.
 
Potência passou a influenciar diretamente o IPI
 
Pelas novas regras, veículos com motores flex que entregam até 115,6 cv não recebem acréscimos de tributação relacionados à potência.
 
Acima desse limite, passam a existir adicionais progressivos no imposto, dependendo da faixa de potência do veículo.
 
Embora os percentuais pareçam pequenos, a diferença representa milhões de reais para fabricantes que produzem centenas de milhares de veículos por ano.
 
Por isso, reduzir poucos cavalos de potência pode gerar uma economia significativa sem alterar de forma perceptível o comportamento do automóvel no dia a dia.
 
Volkswagen foi uma das pioneiras
 
A Volkswagen iniciou esse movimento ainda em 2023.
 
O antigo motor 200 TSI, que entregava 128 cv com etanol, foi substituído pelo 170 TSI de 116 cv em modelos como Polo, Virtus e, posteriormente, o Tera.
 
Na época, a mudança foi tratada como uma atualização de nomenclatura, mas hoje é vista como um dos primeiros passos de adaptação às futuras regras tributárias.
 
Chevrolet também entrou na estratégia
 
A Chevrolet recalibrou o motor 1.0 turbo utilizado em modelos como Onix, Onix Plus, Tracker e Sonic.
 
A potência caiu de 121 cv para 115,5 cv, enquanto o torque permaneceu praticamente inalterado, preservando o desempenho percebido pelo motorista.
 
Hyundai, Renault e Stellantis seguem o mesmo caminho
 
A Hyundai promoveu alterações em modelos como o Creta e o novo i20. No caso do SUV, a potência do motor 1.6 turbo foi reduzida de 193 cv para 176 cv.
 
A Renault também prepara uma nova calibração para o Kardian, que deverá sair dos atuais 125 cv para uma potência próxima do limite de 115,6 cv.
 
Já a Stellantis reduziu a potência dos motores 1.3 turbo de modelos como Jeep Compass, Renegade, Commander, Fiat Toro e Fastback, que passaram de 185 cv para 176 cv.
 
A fabricante também trabalha em ajustes no motor 1.0 turbo utilizado por Fiat, Peugeot e Citroën para enquadrar diversos modelos nas faixas mais vantajosas do programa.
 
Caoa Chery também estuda mudanças
 
Outra fabricante que trabalha em recalibrações é a Caoa Chery.
 
Segundo informações do setor, os motores 1.5 turbo poderão cair de 150 cv para cerca de 143 cv, enquanto os atuais 1.6 turbo devem passar dos atuais 187 cv para algo próximo de 180 cv.
 
O objetivo é posicionar os veículos em faixas tributárias mais favoráveis.
 
O que é o Carro Sustentável?
 
Dentro do programa Mover existe a categoria chamada Carro Sustentável, criada para incentivar veículos mais eficientes e com menor impacto ambiental.
 
Para receber benefícios tributários, os modelos precisam atender requisitos como baixa emissão de CO₂, alto índice de reciclabilidade, produção nacional e eficiência energética.
 
Além disso, muitos dos veículos contemplados pertencem aos segmentos de compactos, subcompactos, SUVs compactos e picapes compactas, justamente os mercados que mais crescem atualmente no Brasil.
 
Mudanças devem continuar
 
Com validade prevista até dezembro de 2026, o programa Mover está acelerando uma transformação na indústria automotiva nacional.
 
A tendência é que novas reduções de potência e recalibrações continuem ocorrendo nos próximos meses, à medida que as montadoras buscam equilibrar desempenho, eficiência e menor carga tributária para seus veículos.