A combinação entre transporte coletivo elétrico, inteligência artificial e conectividade pode transformar a mobilidade urbana brasileira nos próximos anos. O tema foi discutido durante a terceira edição do Summit Futuro da Mobilidade 2026, que reuniu especialistas e representantes do setor para debater os caminhos da chamada cidade do futuro.
 
Entre os assuntos discutidos estiveram a integração entre diferentes meios de transporte, o uso de inteligência artificial na fiscalização, os ônibus elétricos e a possibilidade de implantação de ônibus autônomos em corredores controlados.
 
Ônibus elétricos ganham espaço
 
Marcello Schneider, diretor de Veículos Comerciais e Solar da BYD no Brasil, afirmou que a expansão dos ônibus elétricos no transporte coletivo é uma tendência que não deve retroceder.
 
Segundo o executivo, além da redução dos custos de manutenção e operação, os veículos elétricos proporcionam mais conforto aos motoristas, principalmente pela ausência da necessidade de trocas de marcha.
 
A BYD produz ônibus elétricos desde 2015. Schneider também citou a previsão de implementação de 175 ônibus elétricos para testes no Rio de Janeiro em 2027.
 
Outro ponto destacado foi a percepção dos passageiros. Segundo o executivo, pesquisas realizadas pela empresa indicam que parte dos usuários já demonstra preferência pelos ônibus elétricos, chegando a esperar mais tempo no ponto para utilizar um veículo desse tipo.
 
Ônibus autônomos podem chegar aos corredores
 
A evolução da conectividade também abre espaço para o transporte coletivo autônomo.
 
Schneider afirmou que a utilização de ônibus autônomos em linhas expressas, corredores e sistemas BRT pode ser viável no Brasil em médio prazo, principalmente em trajetos mais controlados.
 
Para isso, será necessário ampliar a comunicação entre veículos e infraestrutura, utilizando recursos de conectividade e inteligência artificial.
 
A proposta seria mais fácil de implementar em ambientes nos quais o trajeto é previamente definido e possui menos interferências do trânsito convencional.
 
Cidades precisam integrar diferentes modais
 
Para Gilmar Pereira Miranda, secretário executivo municipal de Mobilidade e Trânsito de São Paulo, a eletrificação dos ônibus precisa estar acompanhada de uma maior integração entre os diferentes meios de transporte.
 
A ideia é conectar o transporte coletivo a metrôs, ciclovias e outras formas de mobilidade, permitindo que o deslocamento seja planejado como uma única jornada.
 
O secretário também destacou que a inteligência artificial pode auxiliar na identificação de comportamentos de risco e na prevenção de acidentes, tornando a fiscalização mais eficiente.
 
IA na fiscalização ainda tem limitações
 
Apesar do avanço das câmeras com inteligência artificial, a tecnologia não necessariamente apresenta a mesma eficiência em todos os ambientes.
 
No caso de São Paulo, atualmente não há planos para utilizar radares com IA para identificar motoristas usando celular, segundo o secretário.
 
A avaliação apresentada durante o evento é que esse tipo de fiscalização tende a ser mais eficiente em rodovias e grandes corredores, onde o ambiente é mais estruturado e as câmeras conseguem acompanhar melhor o fluxo dos veículos.
 
Tecnologia também pode reduzir o tempo das viagens
 
A conectividade não se limita aos veículos. Os participantes do painel também discutiram soluções digitais capazes de simplificar diferentes etapas da viagem.
 
Gabriel Porto, vice-presidente de Marketing e Produtos do Sem Parar, destacou a possibilidade de reunir em uma mesma jornada serviços como pedágios, pagamentos, seguros e carregamento de veículos elétricos.
 
A empresa também trabalha para atuar como uma espécie de agregadora de pontos de recarga, permitindo que o motorista utilize diferentes redes por meio de uma mesma plataforma.
 
Free flow acompanha a transformação
 
Outro exemplo de digitalização da mobilidade é o pedágio free flow, sistema que elimina as praças tradicionais de cobrança e permite que os veículos atravessem os pontos de cobrança sem precisar parar.
 
Para Rodrigo Zambon, CEO do Pedágio Digital, um dos desafios está em acompanhar a evolução tecnológica sem deixar de oferecer soluções acessíveis para motoristas que ainda não estão familiarizados com os sistemas digitais.
 
A expectativa discutida no Summit é que a combinação dessas tecnologias permita reduzir o tempo dos deslocamentos, melhorar a eficiência do transporte e diminuir as emissões, aproximando as cidades brasileiras de um modelo de mobilidade mais conectado.