Durante décadas, o estepe foi um item indispensável em qualquer automóvel. Bastava abrir o porta-malas para encontrar o pneu reserva, o macaco e a chave de roda, prontos para uma eventual emergência. Hoje, porém, essa realidade está mudando.
 
Cada vez mais montadoras estão eliminando o estepe convencional de seus veículos, substituindo-o por kits de reparo ou pneus do tipo run-flat. A mudança já é comum em modelos elétricos, híbridos, SUVs e começa a chegar também aos veículos de segmentos mais acessíveis.
 
Mais eficiência e menos peso
 
Ao contrário do que muitos imaginam, a retirada do estepe não acontece apenas para reduzir custos.
 
Um conjunto formado por pneu, roda, macaco e ferramentas pode adicionar entre 15 e 25 quilos ao veículo. Para as fabricantes, eliminar esse peso ajuda a reduzir o consumo de combustível, diminuir as emissões e aumentar a autonomia dos carros elétricos.
 
Além disso, os projetos atuais precisam acomodar baterias maiores, suspensões mais sofisticadas e diversos componentes eletrônicos, reduzindo o espaço disponível para um pneu reserva.
 
O que está substituindo o estepe?
 
A solução mais utilizada atualmente é o kit de reparo, composto por um compressor elétrico e um frasco de selante.
 
O equipamento consegue vedar pequenos furos na banda de rodagem do pneu e permitir que o motorista continue a viagem até uma borracharia.
 
 
Outra alternativa são os pneus run-flat, que possuem laterais reforçadas capazes de sustentar o peso do veículo mesmo sem pressão de ar, permitindo rodar por dezenas de quilômetros após um furo.
 
Algumas montadoras também apostam na assistência 24 horas, considerando que um serviço de guincho pode substituir o uso do estepe em situações de emergência.
 
Soluções têm limitações
 
Apesar das vantagens, as alternativas ao estepe apresentam restrições.
 
O kit de reparo funciona apenas em pequenos furos. Cortes na lateral do pneu, danos provocados por buracos ou rodas empenadas normalmente impedem sua utilização.
 
Já os pneus run-flat oferecem mais segurança, mas possuem custo elevado e ainda são encontrados com pouca facilidade em diversas regiões do Brasil.
 
Realidade brasileira ainda pesa
 
Embora essas soluções funcionem bem em países com infraestrutura consolidada, muitos especialistas apontam que a realidade brasileira é diferente.
 
Rodovias longas, pavimentação irregular, estradas de terra e cidades distantes dos grandes centros fazem com que muitos motoristas ainda prefiram contar com um estepe convencional, principalmente durante viagens.
 
Em casos de danos mais severos, depender exclusivamente de um kit de reparo ou de um guincho pode significar horas de espera.
 
É permitido vender carro sem estepe?
 
Sim.
 
A legislação brasileira permite que veículos sejam comercializados sem um estepe convencional, desde que o fabricante ofereça um sistema alternativo homologado, como kits de reparo ou pneus run-flat.
 
Ou seja, um carro pode sair da concessionária sem o tradicional pneu reserva e ainda estar totalmente dentro das normas vigentes.
 
Vale a pena comprar um estepe à parte?
 
Para quem viaja com frequência, muitos especialistas consideram uma boa alternativa adquirir um conjunto completo de roda e pneu compatível com o veículo.
 
No entanto, é importante utilizar exatamente as especificações recomendadas pela fabricante. Medidas incorretas podem comprometer a estabilidade, o funcionamento dos sistemas eletrônicos e até a segurança do automóvel.
 
Mesmo com a tendência mundial de eliminar o estepe, muitos motoristas brasileiros ainda consideram o pneu reserva um item indispensável. Enquanto a engenharia busca reduzir peso e aumentar eficiência, a realidade das estradas brasileiras continua fazendo do estepe uma importante garantia de tranquilidade para quem está ao volante.