A Toyota retomou nesta terça-feira (22) as atividades de sua fábrica de motores em Porto Feliz (SP), exatamente um ano após a unidade ser severamente danificada por uma microexplosão atmosférica. A retomada começa pela área de fundição, ainda em ritmo inferior ao considerado ideal.
 
A estrutura sofreu danos significativos durante o temporal de setembro de 2025, incluindo a destruição do telhado e de parte das colunas estruturais. A reconstrução aproveita o período para ampliar a fábrica e reforçar sua estrutura.
 
Segundo Gilberto Paulino, diretor industrial da Toyota do Brasil, a nova construção terá resistência 45% superior à anterior, com a utilização de colunas metálicas, entre outras melhorias.
 
A operação da fábrica deve ser totalmente retomada ao longo de 2028. Atualmente, 150 funcionários que já atuavam na fundição voltaram às atividades. Quando a unidade estiver completamente reconstruída, a expectativa é chegar novamente a 830 trabalhadores dedicados à produção de motores.
 
Novos equipamentos na fundição
 
A fábrica recebeu novos fornos de baixa pressão utilizados na produção de cabeçotes. Os equipamentos anteriores foram destruídos durante o temporal, depois que o alumínio presente neles solidificou.
 
De acordo com a Toyota, a substituição dos fornos já estava prevista e o incidente acabou antecipando a decisão.
 
Toyota criou estrutura provisória para manter produção
 
A destruição da fábrica ocorreu pouco antes do lançamento do Yaris Cross, que inicialmente estava previsto para chegar ao mercado em outubro de 2025. Com a interrupção da produção, a estreia acabou sendo adiada para fevereiro de 2026.
 
Como os motores 1.5 flex e 1.5 híbrido flex utilizados no SUV são produzidos exclusivamente no Brasil, a Toyota precisou encontrar uma alternativa para manter o abastecimento.
 
A montadora alugou um galpão de 45 mil m² no condomínio DVR, localizado a cerca de 11 quilômetros da fábrica de Sorocaba. O espaço tinha capacidade estrutural para receber os equipamentos necessários.
 
A transferência do maquinário foi realizada em uma operação contínua, com caminhões trabalhando durante 24 horas. Em janeiro de 2026, cerca de quatro meses após a destruição da fábrica, a estrutura provisória estava pronta para produzir 400 motores 1.5 por dia.
 
A linha do motor 2.0, utilizado no Corolla e no Corolla Cross, também foi transferida posteriormente. Nesse caso, a Toyota contou com o fornecimento da matriz para complementar a produção brasileira durante o período de reconstrução.
 
Yaris Cross ajudou a manter a produção
 
Desde o início da operação no galpão provisório, a Toyota já produziu 42 mil motores. Parte deles foi destinada à exportação, incluindo configurações sem sistema flex, mas a maior parcela correspondeu às versões destinadas ao mercado brasileiro.
 
O Yaris Cross conseguiu manter seu lançamento no país e também passou a atender mercados de exportação. De janeiro a agosto de 2026, foram 25.083 unidades comercializadas no Brasil, segundo os dados citados pela fonte.
 
Futuro da unidade provisória ainda está em definição
 
Com a retomada da fábrica de Porto Feliz, a Toyota ainda avalia o futuro da estrutura alugada no DVR.
 
A produção dos motores 2.0 deverá retornar para Porto Feliz. Já a linha dos motores 1.5 ainda não tem uma definição, pois uma eventual transferência exigiria uma nova paralisação da produção.
 
A empresa avalia alternativas como aumentar temporariamente o ritmo de fabricação para formar estoque ou manter a produção dos motores 1.5 no galpão provisório e transferir apenas a linha do 2.0.
 
O contrato atual do espaço no DVR é válido até outubro de 2028 e poderá ser readequado posteriormente, inclusive com a devolução de parte dos módulos alugados.
 
A meta da Toyota é chegar a 700 motores produzidos por dia no Brasil até 2028, sendo 400 unidades do 1.5 e outras 300 do 2.0.