A Volkswagen pretende reduzir drasticamente o tempo necessário para desenvolver um novo automóvel. A meta da fabricante alemã é passar de aproximadamente 52 meses para apenas 18 meses, uma mudança que busca tornar a empresa mais competitiva diante do avanço das montadoras chinesas.
 
A estratégia foi apresentada por Kai Grünitz, integrante do conselho de administração da Volkswagen e responsável pelo desenvolvimento técnico global da marca, durante uma apresentação a jornalistas brasileiros na sede da empresa, em Wolfsburg, na Alemanha.
 
A concorrência chinesa é um dos principais motivos para a mudança. Fabricantes daquele país conseguiram estabelecer ciclos de desenvolvimento mais curtos, especialmente no segmento de veículos elétricos e híbridos, permitindo lançar novos produtos em intervalos menores e acompanhar com mais rapidez as mudanças do mercado.
 
Projetos recentes já tiveram prazos reduzidos
 
A Volkswagen afirma que já começou a acelerar seus processos. Os novos ID. Polo e ID. Cross, ambos em estudo para o mercado brasileiro, tiveram seus ciclos de desenvolvimento reduzidos em aproximadamente dez meses, chegando a 42 meses.
 
Já o futuro ID.1, modelo elétrico que deve ocupar uma posição semelhante à do antigo Up!, tem previsão de desenvolvimento de 30 meses.
 
Na China, a fabricante já consegue trabalhar com ciclos entre 20 e 24 meses por meio de suas parcerias com empresas locais, como FAW, JAC Motors e SAIC. A intenção é levar essa velocidade para as demais regiões e alcançar a meta de 18 meses globalmente.
 
Inteligência artificial e testes virtuais
 
Para encurtar os prazos, a Volkswagen pretende ampliar o uso de ferramentas digitais e inteligência artificial durante o desenvolvimento dos veículos.
 
A proposta é realizar mais etapas de validação virtual antes da construção de protótipos físicos. Dessa maneira, a fabricante espera reduzir a quantidade de veículos utilizados em testes e diminuir o tempo necessário para verificar diferentes soluções de engenharia.
 
A integração entre equipes de diferentes países também será importante. Grünitz citou a colaboração entre profissionais da Europa e do Brasil em projetos como a futura picape Tukan e os modelos Saga e A-SUV, previstos para ampliar a atuação da marca no segmento de veículos eletrificados no país.
 
Pressão das montadoras chinesas
 
A mudança acontece em um momento de dificuldades financeiras e reestruturação da Volkswagen, especialmente na Europa e na China. A fabricante enfrenta custos elevados, perda de competitividade em alguns mercados e a necessidade de reorganizar seus processos industriais.
 
Para a empresa, reduzir o tempo entre a concepção de um veículo e sua chegada ao mercado é fundamental para acompanhar concorrentes que conseguem atualizar seus produtos com maior velocidade.
 
Apesar da meta de 18 meses, a Volkswagen ainda está em processo de adaptação. Os projetos recentes mostram uma redução gradual dos prazos, mas a fabricante pretende avançar ainda mais nos próximos anos.