Décadas antes de os supercarros modernos apostarem em desenhos ousados e soluções aerodinâmicas, um protótipo criado nos Estados Unidos já chamava atenção pelo visual futurista. O Phantom Corsair, desenvolvido em 1937, foi um dos destaques do Pebble Beach Concours d’Elegance, na Califórnia.
O projeto tem ainda uma história curiosa: seu criador foi Rust Heinz, neto de H.J. Heinz, fundador da famosa marca de ketchup.
Projeto nasceu de uma paixão por carros
Rust Heinz já demonstrava interesse pelo desenvolvimento de automóveis e barcos. Em 1935, chegou a criar o Heinz Comet, um veículo comercial baseado em um Autocar e utilizado como carro promocional da empresa da família.
Pouco depois, o inventor passou a trabalhar no Phantom Corsair. Apesar de não contar com apoio financeiro da família, Heinz recebeu ajuda de uma tia para colocar o projeto em prática.

O protótipo tinha carroceria longa e baixa, quatro rodas parcialmente cobertas, pequenas janelas e uma dianteira alongada com diversas entradas de ar. O resultado era bastante diferente dos automóveis convencionais da década de 1930.
V8 e aerodinâmica avançada
Para desenvolver o Phantom Corsair, Heinz utilizou como base seu próprio Cord 810, modelo que já era considerado avançado para a época.
O carro utilizava um motor V8 Lycoming de 4,7 litros, com aproximadamente 125 cv, associado a tração dianteira e câmbio pré-seletor de quatro marchas. A suspensão dianteira também era independente.
O desenvolvimento da carroceria foi realizado em parceria com a Bohman & Schwartz, empresa especializada em carrocerias na Califórnia.
Um dos pontos mais impressionantes do projeto era a preocupação com a aerodinâmica. Protótipos de argila do Phantom Corsair chegaram a ser submetidos a testes em túneis de vento, uma solução bastante avançada para aquele período.
Interior comportava seis pessoas
Apesar das dimensões e do desenho esportivo, o Phantom Corsair tinha uma proposta bastante peculiar para o interior.
A cabine podia acomodar até seis ocupantes e utilizava revestimentos de borracha e cortiça. O modelo também contava com uma célula de segurança construída em aço.
Outro detalhe curioso eram dois grandes compartimentos semelhantes a bares, projetados para armazenar bebidas.
Protótipo chegou às telas de cinema
O Phantom Corsair ganhou ainda mais notoriedade ao aparecer em um filme de comédia de 1938, dirigido por David O. Selznick.
Na produção, o automóvel foi utilizado para representar um veículo fictício chamado Flying Wombat. As cenas mostravam o protótipo em movimento e reforçavam sua imagem de carro rápido e futurista.
Apesar de toda a atenção recebida, o Phantom Corsair nunca entrou em produção.
Rust Heinz morreu em 1939, aos apenas 23 anos, após um acidente de carro, e o projeto acabou sendo abandonado.
Um carro muito à frente do seu tempo
Heinz planejava comercializar o modelo por aproximadamente US$ 12.500, valor que atualmente equivaleria a cerca de US$ 300 mil. O preço elevado poderia ser um dos principais obstáculos para uma eventual produção em série.
Quase nove décadas depois de sua criação, o Phantom Corsair continua sendo lembrado justamente por ter antecipado soluções que se tornariam comuns muito mais tarde.
O retorno ao Pebble Beach Concours d’Elegance, após quase 20 anos sem participar do evento, reforça a importância histórica do protótipo, que permanece como um dos exemplos mais curiosos de como o design automotivo já imaginava o futuro ainda na década de 1930.