A General Motors (GM) decidiu encerrar a operação da Chevrolet na China, mas a saída da marca do mercado chinês não significa o fim da parceria da empresa americana com a SAIC. Pelo contrário: as duas companhias renovaram a joint venture por mais 20 anos, estendendo o acordo até 2047.
 
A mudança faz parte de uma estratégia na qual a China deixa de ser apenas um mercado de vendas para a GM e passa a ter importância ainda maior como base de desenvolvimento e exportação de veículos. A parceria entre GM e SAIC existe desde 1997 e continuará envolvendo desenvolvimento de produtos, tecnologia e produção.
 
FOCO NAS EXPORTAÇÕES
 
Com a saída da Chevrolet do mercado chinês, a GM pretende concentrar a operação local principalmente nas marcas Buick e Cadillac, enquanto veículos desenvolvidos na China poderão ser exportados para outros mercados.
 
Chevrolet Monza é sedã médio chinês com a mesma proposta do Cruze — Foto: Divulgação
 
A estratégia inclui modelos eletrificados e tecnologias desenvolvidas pela própria operação chinesa. A SAIC-GM prevê o lançamento de pelo menos 30 novos modelos de veículos de nova energia até 2030, incluindo elétricos, híbridos plug-in e modelos de autonomia estendida.
 
A própria GM já considera a China uma importante fonte de produtos para seus mercados internacionais. Segundo a empresa, veículos desenvolvidos e produzidos no país já são exportados para mais de 100 destinos.
 
O QUE MUDA NO BRASIL
 
A movimentação interessa diretamente ao Brasil porque parte da atual estratégia da Chevrolet no país envolve modelos de origem ou tecnologia desenvolvida em conjunto com parceiros asiáticos.
 
A arquitetura GEM (Global Emerging Markets), desenvolvida pela GM em parceria com a SAIC, foi utilizada em modelos como Onix, Onix Plus, Tracker e Montana em diferentes mercados. Com a mudança de estratégia da GM na China, a evolução dessa arquitetura deixou de ser uma alternativa tão direta para as futuras gerações dos modelos compactos vendidos no Brasil.
 
Por isso, a GM passou a buscar outras soluções para renovar seu portfólio brasileiro.
 
PARCERIA COM A HYUNDAI
 
Uma das alternativas encontradas pela General Motors foi a parceria anunciada com a Hyundai para o desenvolvimento de novos veículos destinados ao mercado brasileiro.
 
O acordo prevê o desenvolvimento conjunto de produtos, mas não significa que GM e Hyundai passarão a produzir os carros nas mesmas fábricas. Executivos das duas empresas já afirmaram que a parceria está concentrada no desenvolvimento dos veículos.
 
Entre os projetos previstos estão novas gerações de modelos compactos e SUVs, além de picapes. A estratégia envolve produtos que deverão substituir ou evoluir modelos importantes para as duas marcas no país.
 
A Chevrolet, por sua vez, mantém investimentos próprios no Brasil. Em junho, a GM anunciou a ampliação de seu plano de investimentos no país para R$ 10,5 bilhões até 2028, incluindo renovação do portfólio, novas tecnologias e modelos híbridos.
 
WULING CONTINUA NO RADAR
 
A saída da Chevrolet do mercado chinês também não significa que a GM deixará de utilizar produtos desenvolvidos por suas joint ventures chinesas.
 
A SAIC-GM-Wuling, outra parceria da GM na China, continua responsável por veículos das marcas Wuling e Baojun. A GM mantém autorização para utilizar e exportar determinados produtos desenvolvidos nessa estrutura para outros mercados.
 
No Brasil, essa estratégia já pode ser observada. A Chevrolet comercializa atualmente modelos como o Spark EUV e o Captiva EV, ambos relacionados à estratégia global de utilização de produtos desenvolvidos na China. O portfólio brasileiro da marca também inclui modelos tradicionais produzidos localmente, como Onix, Tracker, Montana e S10.
 
CHEVROLET MUDA, MAS NÃO SAI DO BRASIL
 
A mudança na China, portanto, não representa uma saída da Chevrolet do Brasil. O movimento faz parte de uma reorganização global da GM, que passa a aproveitar de maneira diferente sua estrutura chinesa.
 
Enquanto a marca deixa de disputar diretamente o consumidor chinês, a GM mantém a parceria com a SAIC e pode utilizar a capacidade de engenharia e produção daquele mercado para desenvolver veículos destinados a outras regiões.
 
Para o consumidor brasileiro, o efeito mais importante deve aparecer nos próximos lançamentos da Chevrolet, especialmente nas futuras gerações de modelos compactos e nos veículos eletrificados que poderão ser desenvolvidos ou produzidos com participação da engenharia chinesa.
 
A estratégia também ajuda a explicar por que a GM vem diversificando suas parcerias no Brasil, incluindo o acordo com a Hyundai e os investimentos previstos para a renovação de seu portfólio nacional.