Um golpe relativamente antigo voltou a chamar a atenção dos motoristas após o relato da influenciadora Amanda Magalhães, que quase teve o carro furtado em São Paulo. Ao estacionar próximo à casa da irmã, ela tentou acionar o alarme, mas percebeu que as portas não travavam.
A situação chamou ainda mais atenção quando um casal que havia estacionado logo atrás também percebeu o mesmo problema. Desconfiada, Amanda decidiu levar o veículo para a garagem da irmã e, já em outro local, constatou que o comando da chave funcionava normalmente.
O caso é característico do chamado golpe do bloqueador de sinal, realizado com um equipamento conhecido popularmente como “chapolin”.
COMO FUNCIONA
Segundo o especialista em segurança pública e monitoramento veicular Rodrigo Boutti, o dispositivo interfere no sinal emitido pelo controle remoto da chave, impedindo que o veículo receba o comando para travar as portas.
Na prática, o motorista aperta o botão da chave e acredita que o carro foi fechado, mas o sinal não chega ao sistema do veículo. Com as portas destravadas, os criminosos podem entrar na cabine sem precisar quebrar vidros ou arrombar fechaduras.
O equipamento pode ter diferentes formatos e atuar por meio de interferência nas frequências utilizadas pelo sistema de travamento.
ATÉ O CARRO PODE SER LEVADO
O golpe pode ser utilizado tanto para furtar objetos deixados dentro do veículo quanto para facilitar o furto do próprio automóvel.
No segundo caso, o bloqueador impede o travamento e permite que os criminosos tenham mais tempo para agir depois que o proprietário se afasta. Segundo o especialista, em determinados tipos de crime, os criminosos podem realizar procedimentos adicionais para conseguir colocar o veículo em funcionamento.
Em furtos de objetos, a estratégia também pode ser utilizada em locais onde motoristas costumam fazer paradas, como estacionamentos e postos de combustíveis. Notebooks, celulares, bolsas e outros equipamentos deixados dentro da cabine podem se tornar alvos.
CARROS MAIS NOVOS
Os veículos mais modernos possuem sistemas de segurança mais avançados e, em muitos casos, utilizam sinais codificados e diferentes antenas para dificultar esse tipo de fraude.
Isso, porém, não significa que o motorista deva deixar de conferir se o veículo realmente foi travado. Sistemas com chave presencial também estão sujeitos a outros tipos de ataques envolvendo a retransmissão do sinal da chave.
Por isso, a principal recomendação continua sendo verificar fisicamente se o carro está fechado antes de se afastar.
COMO SE PROTEGER
Alguns cuidados simples podem reduzir o risco de cair no golpe:
- Confira se as luzes do veículo piscaram ou se houve sinal sonoro após acionar o travamento;
- Depois de fechar o carro, puxe a maçaneta para confirmar que a porta realmente está travada;
- Se o veículo não travar, tente acionar o comando novamente;
- Caso o problema persista, não se afaste do carro e procure um local mais seguro;
- Se houver movimentação suspeita nas proximidades, procure um segurança ou deixe o local;
- Evite deixar objetos de valor visíveis dentro da cabine.
O principal alerta é simples: não confie apenas no clique ou no acionamento do controle remoto. Antes de se afastar, confirme que o veículo realmente foi travado. Esse hábito pode evitar que uma falha aparentemente simples se transforme em uma oportunidade para criminosos.