O câmbio DHT (Dedicated Hybrid Transmission) ganhou espaço no mercado brasileiro por equipar modelos híbridos como o GWM Haval H6 e o Geely EX5 EM-i. Desenvolvida especificamente para veículos eletrificados, a tecnologia combina motores elétricos e de combustão para buscar maior eficiência e respostas mais rápidas.
 
Diferentemente de uma transmissão automática convencional adaptada para receber um motor elétrico, o DHT foi projetado desde o início para trabalhar com um conjunto híbrido. A arquitetura permite alternar entre diferentes modos de funcionamento de acordo com a velocidade, a demanda de potência e as condições de condução.
 
Como funciona o câmbio DHT na prática
 
Conjunto de motor a combustão e câmbio DHT da GWM (Divulgação/GWM)
 
Dentro da transmissão DHT trabalham, em geral, dois motores elétricos com funções distintas. O primeiro atua principalmente na tração das rodas e fornece força em acelerações mais fortes. O segundo funciona como gerador de eletricidade, podendo recuperar energia durante desacelerações e frenagens.
 
A central eletrônica do veículo administra continuamente o fluxo de energia entre motor a combustão, motores elétricos e bateria.
 
Em baixas velocidades e no trânsito urbano, o sistema pode priorizar a tração totalmente elétrica. Quando há necessidade de mais força ou quando a bateria atinge níveis mais baixos, o conjunto pode entrar no modo híbrido em série, utilizando o motor a combustão para acionar o gerador elétrico sem necessariamente transmitir sua força diretamente às rodas.
 
Já em velocidades de cruzeiro, como em rodovias, o sistema pode conectar o motor a combustão às rodas. Nesse cenário, o motor trabalha em uma faixa de rotação mais eficiente, buscando reduzir o consumo de combustível.
 
Quando o motorista exige mais desempenho, os motores elétricos também podem atuar em conjunto com o motor a combustão, fornecendo potência adicional.
 
Por que o DHT utiliza poucas marchas?
 
Uma das características que mais chama atenção é a pequena quantidade de relações disponíveis. Dependendo da configuração, existem transmissões DHT com uma, duas, três ou quatro marchas.
 
A explicação está no funcionamento dos motores elétricos. Eles conseguem entregar torque elevado já em baixas rotações e trabalham em uma faixa de utilização mais ampla do que os motores convencionais a combustão.
 
Em um veículo exclusivamente a combustão, várias marchas são necessárias para manter o motor em uma faixa adequada de torque e potência, evitando rotações excessivamente baixas ou altas.
 
No sistema DHT, o motor elétrico de tração assume a função de movimentar o veículo em velocidades mais baixas, reduzindo a necessidade de relações curtas. Quando o carro atinge velocidades de cruzeiro, o motor a combustão pode ser conectado às rodas por meio de uma relação mais longa, trabalhando em uma faixa de maior eficiência térmica.
 
DHT é diferente de um câmbio automático convencional
 
Nos sistemas híbridos tradicionais, o motor elétrico pode atuar como um elemento auxiliar conectado ao conjunto de transmissão convencional.
 
No DHT, a integração entre os componentes é mais profunda. O sistema controla torque e rotação para permitir que o motor a combustão opere próximo de sua faixa de maior eficiência, enquanto os motores elétricos assumem diferentes funções de acordo com a situação.
 
Outra característica é a construção mais compacta. Como o sistema pode dispensar uma grande quantidade de engrenagens e componentes presentes em transmissões automáticas convencionais, o conjunto tende a ser mais leve e compacto.
 
A redução de componentes mecânicos também pode diminuir perdas por atrito e contribuir para a eficiência do sistema.
 
Nem todo híbrido utiliza DHT
 
Apesar da presença crescente no mercado, o DHT não é a única arquitetura utilizada em veículos híbridos.
 
Modelos da BYD e da Toyota, por exemplo, utilizam sistemas diferentes, baseados em outras formas de divisão de potência e conjuntos de engrenagens planetárias.
 
A tecnologia utilizada em cada veículo depende da estratégia adotada pela fabricante para controlar a relação entre motor a combustão, motores elétricos e bateria.
 
Fornecedores desenvolvem diferentes sistemas DHT
 
A fabricação das transmissões DHT envolve fornecedores especializados em sistemas híbridos. Entre as empresas citadas nesse mercado estão Aecteco, ZF, Magna Powertrain e Jatco, que desenvolvem soluções para diferentes fabricantes.
 
A Aecteco, divisão de motores do Grupo Chery, trabalha com módulos de dupla motorização elétrica adaptáveis a diferentes motores a gasolina.
 
Software também é fundamental
 
O funcionamento do DHT não depende apenas da arquitetura mecânica. A calibração eletrônica e o software de gerenciamento têm papel fundamental no comportamento do veículo.
 
A transmissão precisa decidir constantemente quando utilizar o motor elétrico, quando acionar o motor a combustão, como distribuir o torque e quando recuperar energia durante as desacelerações.
 
Por isso, dois veículos podem utilizar sistemas de transmissão semelhantes e apresentar comportamentos diferentes na condução, dependendo da programação adotada pela fabricante.
 
No fim, o DHT é mais do que uma transmissão com poucas marchas. Trata-se de um sistema desenvolvido especificamente para integrar combustão, eletrificação e gerenciamento eletrônico, buscando aproveitar cada fonte de energia no momento mais eficiente.