O GNV (gás natural veicular) é uma alternativa econômica e considerada ambientalmente mais limpa para quem utiliza o carro diariamente. Apesar disso, o sistema trabalha com gás armazenado em alta pressão e exige cuidados específicos para evitar vazamentos, falhas e acidentes.
 
Segundo especialistas citados na reportagem, acidentes envolvendo GNV são considerados raros e geralmente estão relacionados a instalações fora das normas técnicas, manutenção inadequada ou problemas durante o abastecimento. Por isso, a atenção começa antes mesmo de o veículo começar a rodar com o combustível.
 
Instalação deve ser feita por oficina homologada
 
A instalação do kit GNV deve ser realizada exclusivamente em oficinas homologadas pelo Inmetro e registradas no Detran, com profissionais capacitados para seguir as normas técnicas.
 
Depois da conversão, o veículo precisa passar por uma inspeção em uma Instituição Técnica Licenciada (ITL). Se aprovado, é emitido o Certificado de Segurança Veicular (CSV), documento necessário para regularizar o uso do GNV no CRLV.
 
A instalação inadequada pode provocar vazamentos e comprometer componentes importantes do sistema. Por isso, economizar justamente nessa etapa pode aumentar os riscos para o motorista e os demais ocupantes.
 
Como funciona o sistema de GNV
 
O gás natural é armazenado em cilindros instalados normalmente no porta-malas, sob pressão que pode chegar a aproximadamente 220 bar. A partir dali, o combustível passa por mangueiras, válvulas e reguladores até chegar ao motor.
 
O redutor de pressão transforma a pressão do cilindro para um nível adequado ao funcionamento do propulsor. Nos kits mais modernos, sensores e injetores controlam eletronicamente a mistura de gás e ar.
 
A troca entre GNV e gasolina ou etanol pode ser automática ou manual, dependendo do equipamento instalado.
 
Inspeção anual é obrigatória
 
O sistema precisa passar por inspeção de segurança veicular todos os anos, especialmente durante o processo de licenciamento. São avaliados itens como cilindro, válvulas, mangueiras, conexões e redutor de pressão.
 
Além da inspeção periódica, uma nova avaliação pode ser necessária depois de acidentes, troca de componentes, venda do veículo ou qualquer suspeita de problema no sistema.
 
Circular com o CSV vencido ou sem a devida regularização pode gerar penalidades e impedir que o veículo permaneça legalizado para utilização do GNV.
 
Quais são os principais riscos?
 
Embora o sistema seja desenvolvido para funcionar com segurança quando corretamente instalado e mantido, o GNV opera sob alta pressão.
 
Um dos principais perigos é o vazamento de gás, especialmente em locais fechados e sem ventilação. Também podem aumentar os riscos:
  • instalação inadequada;
  • falta de manutenção;
  • mangueiras ressecadas;
  • válvulas desgastadas;
  • problemas no redutor de pressão;
  • filtros obstruídos;
  • erros durante o abastecimento;
  • componentes antigos ou danificados.
 
Durante o abastecimento, o veículo deve estar com o motor desligado e a chave fora da ignição, e os ocupantes não devem permanecer dentro do carro.
 
Também é importante verificar se o engate do equipamento foi realizado corretamente e interromper o procedimento caso exista cheiro de gás ou qualquer sinal de funcionamento anormal.
 
Deixar o carro no sol pode causar explosão?
 
Uma dúvida comum entre os motoristas é se o calor provocado pelo sol poderia fazer o cilindro explodir.
 
Segundo o especialista citado na reportagem, o sistema é projetado para suportar temperaturas elevadas, e o maior risco não está simplesmente em deixar o veículo exposto ao sol.
 
A preocupação maior está em ambientes fechados e mal ventilados. Caso ocorra um vazamento, o gás pode se acumular no local e aumentar o risco de incêndio ou explosão.
 
Por isso, garagens subterrâneas e outros espaços sem ventilação adequada exigem atenção especial.
 
Fique atento aos sinais de alerta
 
O motorista deve procurar assistência especializada diante de qualquer comportamento anormal do sistema.
 
Entre os principais sinais estão:
  • cheiro forte ou persistente de gás;
  • ruídos incomuns próximos ao cilindro ou às válvulas;
  • perda repentina de potência;
  • falhas na troca entre combustíveis;
  • dificuldade durante o abastecimento;
  • luz da injeção acesa depois da mudança para o GNV.
 
Nessas situações, o ideal é não continuar utilizando o sistema até que ele seja avaliado por profissionais capacitados.
 
Manutenção precisa seguir um cronograma
 
A conservação dos componentes é fundamental para a segurança do conjunto. De acordo com as orientações apresentadas na reportagem, alguns cuidados incluem:
 
Cilindro: deve ser requalificado a cada cinco anos por meio de teste hidrostático e possui validade de até 20 anos.
 
Mangueiras e conexões: devem ser verificadas anualmente, observando ressecamento, trincas, folgas e possíveis vazamentos.
 
Filtros: a recomendação apresentada é de substituição a cada 10 mil quilômetros.
 
Redutor de pressão: deve ser avaliado periodicamente, com revisão indicada a cada dois anos ou conforme a quilometragem e as orientações do fabricante.
 
Válvulas: precisam ser verificadas quanto ao funcionamento e sinais de desgaste ou travamento.
 
Sensores e injetores: especialmente nos kits de quinta geração, devem ser avaliados caso apareçam falhas na comutação, consumo elevado ou outros sintomas.
 
Também é importante realizar testes de estanqueidade para identificar possíveis vazamentos e verificar o funcionamento do manômetro e dos componentes eletrônicos do sistema.
 
O que fazer em caso de vazamento?
 
Se houver suspeita de vazamento de GNV ou o veículo sofrer um acidente que possa ter danificado o sistema, a orientação é desligar o carro imediatamente, sair do veículo e se afastar do local.
 
O motorista deve evitar acionar componentes elétricos e não utilizar o celular próximo ao veículo. Em uma situação de emergência, o Corpo de Bombeiros deve ser acionado pelo telefone 193.
 
A válvula do cilindro pode ser fechada manualmente somente se isso puder ser feito sem colocar a pessoa em risco.
 
Kits mais modernos oferecem maior controle
 
Os kits de quinta geração são apontados pelos especialistas como superiores em segurança, controle e funcionamento. Eles utilizam injeção eletrônica e sensores de temperatura e pressão integrados ao gerenciamento eletrônico do veículo.
 
Já sistemas mais antigos, de terceira e quarta geração, dependem mais de ajustes manuais e podem apresentar maior dificuldade no controle preciso da mistura.
 
Na prática, porém, independentemente da geração do kit, a segurança depende principalmente de instalação correta, componentes adequados, inspeções periódicas e manutenção em dia.