A China prepara novas exigências de segurança para tecnologias cada vez mais comuns no interior dos veículos. O Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação (MIIT) propõe submeter grandes telas multimídia, painéis de grandes dimensões e sistemas de projeção de informações no para-brisa a avaliações específicas antes da aprovação dos veículos.
A preocupação é que telas excessivamente complexas ou chamativas desviem a atenção do motorista. As autoridades também pretendem avaliar a confiabilidade desses equipamentos em condições extremas e seu comportamento em colisões, incluindo os riscos associados à fragmentação dos materiais.
A iniciativa faz parte de uma revisão mais ampla das tecnologias automotivas, após o país estabelecer restrições às maçanetas retráteis embutidas nas carrocerias.
Telas flexíveis e dobráveis entram na mira
A proposta prevê restrições para telas flexíveis e dobráveis, recursos desenvolvidos para ampliar as possibilidades de configuração das cabines. A medida pode afetar fabricantes que apostam na integração entre automóveis e tecnologias digitais.
Outro ponto importante é a utilização de comandos exclusivamente por telas sensíveis ao toque. Funções essenciais, como seleção de marchas, acionamento dos faróis e desembaçamento dos vidros, deverão contar com comandos físicos, permitindo que o motorista as acione sem depender apenas dos menus digitais.
Bancos reclináveis e faróis personalizados também são avaliados
O projeto não se limita às centrais multimídia. Bancos conhecidos como “gravidade zero”, capazes de reclinar profundamente, também estão entre os equipamentos avaliados. A proposta busca impedir posições inadequadas durante a circulação, que podem comprometer a proteção oferecida pelo cinto de segurança em uma colisão.
A personalização de faróis e lanternas por meio de animações ou desenhos criados pelos usuários também poderá sofrer restrições. O objetivo é evitar que essas projeções distraiam ou confundam outros motoristas.
Quando as regras podem entrar em vigor?
As medidas ainda fazem parte de uma proposta regulatória submetida à consulta pública, com prazo para contribuições até 10 de novembro de 2026. Portanto, não se trata de uma proibição imediata de todos os equipamentos citados.
O cronograma previsto estabelece exigências para novos projetos de veículos a partir de 1º de janeiro de 2027, enquanto modelos já aprovados terão prazo posterior para adequação, conforme as regras aplicáveis.
Embora as exigências sejam voltadas ao mercado chinês, elas podem influenciar veículos comercializados internacionalmente, caso as fabricantes optem por padronizar seus projetos para atender aos diferentes mercados.