Os carros híbridos são conhecidos pela economia de combustível, principalmente no trânsito urbano. Mas, ao contrário do que muitos motoristas imaginam, alguns modelos podem apresentar consumo maior na estrada do que na cidade. Isso acontece porque a tecnologia híbrida consegue aproveitar melhor determinadas condições de condução, especialmente as arrancadas, as desacelerações e os deslocamentos em baixa velocidade.
 
Segundo reportagem da revista Quatro Rodas, publicada em 28 de outubro, a frenagem regenerativa e o arrasto aerodinâmico ajudam a explicar por que alguns veículos híbridos são mais eficientes no uso urbano do que em viagens rodoviárias.
 
Frenagem regenerativa ajuda a economizar na cidade
 
Nos sistemas híbridos, o motor elétrico também pode funcionar como gerador durante as desacelerações. Parte da energia cinética que seria desperdiçada em forma de calor nas frenagens é convertida em eletricidade e armazenada na bateria.
 
No trânsito urbano, com semáforos, congestionamentos e mudanças frequentes de velocidade, esse processo acontece repetidamente. A energia recuperada pode ser utilizada posteriormente para movimentar o veículo, reduzindo a necessidade de acionar o motor a combustão.
 
Em alguns híbridos plenos, conhecidos como HEV, e nos híbridos plug-in, chamados de PHEV, o motor elétrico também consegue movimentar o carro sozinho em determinadas condições, especialmente em baixas velocidades.
 
Na estrada, o motor a combustão trabalha mais
 
Em rodovias, o cenário costuma ser diferente. Quando o veículo mantém velocidade constante por longos períodos, há menos desacelerações e frenagens para recuperar energia.
 
Com isso, o motor a combustão tende a trabalhar por mais tempo para manter o carro em movimento. O sistema elétrico continua podendo auxiliar em determinadas situações, mas a oportunidade de recuperar energia durante as frenagens é menor.
 
Outro fator é a resistência aerodinâmica. Em velocidades elevadas, o ar oferece mais resistência ao avanço do veículo, exigindo mais energia para manter o deslocamento. Esse efeito pode reduzir a vantagem de consumo que o sistema híbrido apresenta no trânsito urbano.
 
Consumo varia conforme o modelo
 
A diferença entre cidade e estrada depende da tecnologia híbrida, da velocidade, do trajeto e das condições de condução.
 
A reportagem da Quatro Rodas cita o BYD Song Plus como exemplo: segundo os dados apresentados no texto, o modelo registra consumo de 19,6 km/l no ciclo urbano e 16,1 km/l no rodoviário.
 
Isso não significa que todo híbrido consuma mais na estrada. Alguns modelos, especialmente os híbridos leves, podem apresentar resultados diferentes, conforme a configuração mecânica e a forma como o sistema elétrico auxilia o motor a combustão.
 
Para quem pretende comprar um híbrido, vale comparar os números de consumo urbano e rodoviário do modelo desejado e considerar o tipo de percurso realizado com maior frequência.